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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Biografia de Luiz Gonzaga

Postado Por educaipo Postado As 16:31 Com Sem Comentarios

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em uma fazenda de Exu, em Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912.


Aprendeu a tocar vendo e ouvindo o pai, o sanfoneiro Januário, animar bailes nos sábados da cidade e consertar foles, harmônicos, pés-de-bode, ou de que outra forma se chamava lá o acordeão.

— Ficava por ali, desasnando — lembraria ele. — Na igreja de São João Batista, perto de 16 de junho, juntavam-se os tocadores do lugar. Sua música atraía o pessoal para as festas religiosas. Chegada essa época, eu ia pra lá, puxava assunto com o tocador, pedia pra experimentar o instrumento, a zabumba, a caixa, o pífaro, a sanfona. Fui aprendendo.
Por obra do acaso (e do amor) o jovem Lula logo emigrou para o Sul do país. Tinha dezoito anos quando se apaixonou por Nazarena, moça endinheirada do lugar. O pai dela, um certo Raimundo Deolindo, deixou claro, e fez questão de espalhar por toda Exu, que não a queria ver de namoro com aquele “neguinho sem futuro”. Ao saber disso, Lula tomou coragem (ou melhor, uma talagada de cana) e foi tirar satisfações com o pai da moça na feira de domingo, bem diante de todo o povo.
Raimundo queixou-se à dona Santana, mãe de Lula:
— Outro desrespeito desse, minha senhora, pode acabar em sangue — ameaçou.
Dona Santana, mais temerosa que zangada, não respeitou os dezoito anos do filho e deu-lhe uma surra. Humilhado e ofendido, o rapaz vendeu a sanfona, arrumou a trouxa e partiu.
A primeira escala foi em Fortaleza, onde Lula entrou para o Exército e se tornou cabo corneteiro. Viajou muito. Andou por São Paulo, fez biscates, comprou sanfona nova, até que desembarcou no Rio de Janeiro, disposto a ganhar a vida com a música.
Seu primeiro emprego na cidade foi no Mangue, ao lado de casas de quinta categoria e botequins iluminados, de razoável aparência, com arrasta-pés vespertinos e música ao vivo. Seu repertório, então, era composto de tangos, boleros, valsas, foxtrots.
Uma noite, depois de ouvi-lo, um estudante pernambucano de passagem disse-lhe:
— Você toca muito bem, seu moço. Mas por que não ataca umas coisinhas lá da nossa terra, pra matar a saudade? Deixa o tango pra lá. Olha, da próxima vez que a gente vier aqui, se você não tocar umas músicas nordestinas, não vai ter dinheiro no seu pires.
Pensando em tudo aquilo, especialmente no dinheiro no pires, compôs dois chamegos, “Pé de serra” e “Vira e mexe”.
Consciente de que o rádio era o principal veículo para a música naquele 1941, inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, solou o “Vira e mexe”, ganhou o primeiro prêmio e, não muito depois, foi contratado pela rádio Nacional.

Dos preconceitos ao sucesso



Os preconceitos estavam longe de ser superados quando Lula e sua sanfona foram ouvidos pela primeira vez no auditório da PRE-8. Compenetrado no papel de representante da nordestinidade, ele tratou de vestir-se a caráter, alpercatas de couro, roupas de boiadeiro, chapéu de cangaço. Mas Floriano Faissal, diretor artístico da Nacional, protestou em nome do “bom gosto”:

— Enquanto eu mandar nesta rádio, não permitirei que você apareça diante de nosso público vestido de bandido de Lampião.
É evidente que Faissal acabaria mudando de idéia, mas não sem antes obrigar Gonzaga a cantar, no maior desconforto, de smoking.
Depois, vieram o sucesso, a glória, a força do talento derrubando preconceitos e reabrindo as portas do meio musical para o esquecido Nordeste. Era 1950, o baião já era tão ouvido no rádio quanto o samba, o bolero e os outros ritmos estrangeiros da moda. Muitos chegavam a pensar que aquela “nova dança” tinha sido inventada por Luiz Gonzaga e seus dois parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas (na verdade, o baião, cujo nome deriva de baiano, já era conhecido em fins do século passado, e Januário deve tê-lo focado em seu fole).
Nesse meio século, Luiz Gonzaga jamais perdeu o prestígio. Teve praticamente uma única gravadora, a RCA Victor, hoje BMG, e nela perpetuou mais de mil canções, suas ou de outros. Pode ter saído do palco por momentos, mas perder o prestígio, nunca.
— Sim, aí pelos anos sessenta, achei melhor me afastar — contaria ele.
— A garotada estava crescendo muito.
Era a época das guitarras, dos cabeludos. O rádio ia virando coisa do passado. E a imagem que a televisão queria mostrar ao seu público era coisa mais sofisticada, nunca de um cangaceiro de chapéu esquisito, empunhando uma sanfona.
Foi, mas voltou. Para compor, tocar e cantar o quanto a saúde lhe permitiu. Andou alternando a música com atividades outras, como a de apaziguador de briga entre famílias rivais do sertão pernambucano (selou-lhes a paz tocando para elas em praça pública), visitas nostálgicas ou diplomáticas a Exu e um namoro com a política que não deu em casamento. Chegou a pensar em seguir as pegadas do parceiro Humberto Teixeira, candidatando-se a deputado federal pelo PDS.
Ficou com a sanfona de oito baixos e a voz soando a sertão. Sua música — que acabou triunfando sobre os altos e baixos das novidades do momento — continuou sendo o que sempre foi: autêntica, rica, poderosa, de espírito agreste e cheiro de terra.
Uma música difícil de descrever, como acontece com as melhores artes populares, e de cuja grandeza o próprio Luiz Gonzaga parecia não ter muita consciência.

A partida



Sanfona e voz silenciaram para sempre em 2 de agosto de 1989, em Recife, onde o coração do velho cantador, minado por seis meses de doença (a uma osteoporose seguiram-se vários tipos de infecção e uma pneumonia fatal), parou por volta das cinco e meia da manhã. Seu corpo, embalsamado, foi velado na capital,
Juazeiro do Norte (CE) e na Exu natal, onde o sepultaram no fim da tarde.
Gonzaga morreu quatro anos depois de tocar em Paris e dois depois de ganhar o Prêmio Shell de Música Popular; o fole de “mau gosto” fazendo-se ouvir entre as paredes nobres do Teatro Municipal. Morreu seis anos depois, enfim, daquele breve namoro com a política: “Serei um deputado feliz — disse ele na ocasião — se ajudar o Brasil a ter consciência de seu sertão”.
Como se sua música já não o tivesse feito.

fonte:escola ativa v3


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